Ela passava horas e horas navegando. Não era sobre fazer algo específico — era sobre não conseguir parar. Acordava e a primeira coisa que fazia era pegar o celular pra ver se tinha algo novo. No trabalho, tinha três abas do navegador abertas com redes sociais, uma com notícias, outra com YouTube. A produtividade dela tinha despencado e ela sentia uma angústia constante de estar sempre "ligada" e nunca realmente presente.
Quando tentou falar sobre isso com o Carlos, ela mesma se interrompeu: "Isso é besteira, né? Todo mundo é assim hoje em dia." Ele balançou a cabeça. "Luísa, todo mundo não está procurando ajuda. Você está. Isso faz diferença." Ele ajudou ela a ver que a compulsão por internet não era sobre falta de disciplina — era sobre ansiedade. Ela usava a distração digital pra não sentir o tédio, a solidão, o desconforto de estar consigo mesma.
O tratamento não foi mágico. Foi um trabalho gradual de reconhecer o gatilho, criar barreiras físicas (desinstalar apps, usar timer) e aprender a ficar com o desconforto sem correr pra tela.