Como falar sobre dependência de jogos na terapia?

Luísa

No começo era inofensivo. Uma partida depois do trabalho pra relaxar. Depois virou duas, três, até ela perceber que estava acordando de madrugada na frente do computador, com a tela do jogo ainda ligada e o corpo moído de cansaço. Ela falava sobre isso na terapia como se fosse um hobby: "Carlos, jogo um pouco." Mas não era um pouco. Era o bastante pra rotina dela ter virado um ciclo de jogar, dormir mal, trabalhar mal, e jogar de novo.

O Carlos nunca tratou o vício dela em jogos como coisa de criança. Foi a primeira pessoa que levou a sério quando ela disse que não conseguia parar. Ele perguntou o que o jogo dava a ela que a vida real não estava dando. E a resposta doeu: dava controle, dava progresso, dava recompensas imediatas. Coisas que ela não sentia no trabalho, no relacionamento, em nada.

Depois de falar sobre isso abertamente, eles conseguiram montar um plano. Não era sobre largar o jogo de uma vez — era sobre entender o que ela estava fugindo quando ligava o computador. Hoje ainda joga, mas com limite. Não é mais controlada pelo jogo. E isso começou no dia em que parou de tratar a dependência como frescura.