Como falar sobre dependência química na terapia?

Luísa

Ela chegou no consultório do Carlos sabendo que precisava falar, mas sem saber como. Não era mais sobre um baseado de vez em quando. Era sobre cocaína. E não era uma vez por mês — era todo fim de semana, e alguns durante a semana, e de repente já era terça-feira e ela estava no banheiro do escritório. Ela tinha medo de falar e ele a julgar. Medo de falar e ele mandar ela pra uma clínica. Medo de falar e ele contar pra família dela.

Passou quarenta minutos falando sobre trabalho, sobre relacionamento, sobre qualquer coisa. Até que o Carlos disse: "Você está cansada de carregar algo sozinha, não está?" E ela desabou. Contou tudo. Esperou a reação. Ele respirou fundo, agradeceu pela coragem e disse: "Agora a gente sabe o que está enfrentando. Antes a gente lutava contra um fantasma."

O que veio depois não foi julgamento. Foi um plano. Não era sobre parar de uma vez — era sobre entender o que a levava a usar, e construir um caminho realista de redução de danos. Ele explicou que dependência química não é falta de caráter, é um transtorno. E que pedir ajuda não é fraqueza, é o primeiro passo de verdade.