Clarinha chegou ao consultório com vinte minutos de antecedência. O endereço era um sobrado discreto, com uma placa pequena na porta: "Psicologia — Dra. Renata". Ela apertou a campainha com o coração acelerado.
— Pode entrar, está aberto — disse uma voz do outro lado.
A sala era acolhedora, com poltronas confortáveis e uma planta no canto. A psicóloga, uma mulher de uns quarenta anos com um sorriso tranquilo, a cumprimentou sem pressa. Clarinha sentou na ponta da poltrona, as mãos suando.
— Não precisa ter pressa — disse a psicóloga. — A primeira sessão é só para a gente se conhecer.
Clarinha contou do trabalho, da ansiedade que sentia todas as manhãs, das noites em que não dormia pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Em alguns momentos a voz falhou, mas a psicóloga não a interrompeu, apenas acenava com a cabeça.
— Como você se sente agora, aqui? — perguntou a psicóloga.
— Estranha. É a primeira vez que faço terapia — respondeu Clarinha.
— Isso é corajoso. Reconhecer que precisamos de ajuda é o primeiro passo.
No fim da sessão, Clarinha saiu com uma sensação nova. Não estava curada, mas sentia que havia colocado para fora um peso que carregava sozinha há meses. Marcou a próxima sessão na recepção e foi para casa com um passo mais leve.