Na virada do ano, fiz a clássica promessa: "Vou fazer um check-up completo." Marquei com um clínico e falei exatamente essas palavras. Ele pediu 40 exames, incluindo ressonância magnética, cintilografia óssea e marcadores tumorais. Gastei mais de R$ 2 mil no laboratório. No fim, 90% dos exames estavam normais e os R$ 2 mil foram pelo ralo.
"Check-up completo" é um dos maiores mitos da medicina preventiva. Não existe exame para "tudo" — o que existe é exame certo para sua idade, sexo, histórico e fatores de risco. Fazer exame demais não é prevenção: é ansiedade medicalizada. E alguns exames desnecessários podem até gerar falsos positivos, levando a procedimentos invasivos sem necessidade.
O recomendado é chegar no médico com informações: "Tenho 28 anos, sem queixas, mas quero prevenção. Minha avó teve diabetes, meu pai tem pressão alta. Quais exames são recomendados para meu perfil?" O médico vai pedir o básico: sangue, urina, e talvez alguns específicos. Check-up bom não é o que tem mais exames — é o que tem os exames certos. Prevenção de verdade é baseada em evidência, não em medo.