Como explicar sintomas para um medico?

Luísa

Na primeira consulta dela com um gastro, ela entrou no consultório e despejou um discurso desconexo: "Doutor, desde janeiro eu sinto umas coisas estranhas na barriga, tipo um aperto, mas às vezes é queimação, e quando como gordura piora, mas não é sempre, e também tenho um cansaço..." O médico a olhou com uma cara que misturava paciência e confusão.

Ele gentilmente a interrompeu e pediu para ela organizar a história: "Quando começou? O que exatamente você sente? O que melhora? O que piora?" Ela percebeu que ele precisava de informação estruturada, não de um desabafo. Saiu da consulta com um diagnóstico mais preciso porque aprendeu a se preparar.

Hoje, antes de qualquer consulta, ela anota num papel: quando o sintoma começou (data aproximada), a intensidade (numa escala de 0 a 10), o que desencadeia, o que alivia, e se já aconteceu antes. Leva o papel na bolsa e entrega para o médico. Eles amam. Explicar sintoma não é desabafar — é fornecer dados para um diagnóstico. Médico não é adivinho, é detetive. E detetive precisa de pistas organizadas.