Beto nunca tinha doado sangue. Tinha medo de agulha, mas também medo de fraquejar.
— Você pode salvar quatro vidas com uma doação — Clarinha disse.
— Mas sangrar…
— É uma bolsa. O corpo repõe em 24 horas.
Beto foi com ela. Preencheu o cadastro, passou pela triagem. Estava apto.
Na cadeira, a enfermeira puncionou a veia. O sangue escorreu pelo tubo. Em dez minutos, a bolsa estava cheia.
— Pronto — ela disse. — Parabéns.
— Não senti nada.
— Porque o medo era maior que a picada.
Beto saiu tonto, mas feliz. Ganhou um lanche e a certeza de que fez o bem.
— Vou doar de novo — ele disse.
— Sabia que você ia gostar. Prevenir também é doar.