Clarinha já tinha tentado tudo: argumentos, apelo, chantagem emocional. Beto sempre arrumava desculpa.
— Estou sem tempo.
— Posso marcar no sábado.
— Sábado é pra descansar.
— Descansar é não ter infarto.
Ela tentou uma abordagem diferente. Marcou a consulta e não avisou.
— Que dia é hoje? — ela perguntou no café.
— Quarta.
— Na verdade é quarta de consulta. Seu urologista. Daqui a uma hora.
— O quê?!
— Já marquei. Se não for, perde a consulta.
Beto foi resmungando. Mas foi. Voltou dizendo que passou.
— Gostei do médico — ele admitiu. — Ele não grita.
— Eu grito porque você não vai. Se fosse antes, não precisava de briga.
— Tá bom, da próxima eu vou sem reclamar.
— Vou cobrar.