Pedro chegou da escola com dor de cabeça três dias seguidos. Luísa deu dipirona, deu soro, deu chá. A dor voltava.
— Ele aperta os olhos pra ler o quadro — a professora comentou na reunião.
Luísa marcou o oftalmologista na mesma semana.
Na sala de espera, Pedro ficou em silêncio. Quando sentou no aparelho, a médica começou a trocar as lentes.
— Uma ou duas?
— Uma.
— E agora?
— Duas.
No fim, o diagnóstico: miopia leve. Precisa de óculos.
Pedro escolheu a armação azul na ótica. Colocou e olhou no espelho. Abriu um sorriso.
— Mãe, eu posso ver as folhas das árvores!
— Sempre pôde, filho.
— Mas agora eu enxergo cada folha.
Luísa segurou o choro. Pagou os óculos e saiu com Pedro pela mão, andando mais devagar pra ele ver o mundo pela primeira vez.