Começou a tomar antidepressivo e ficou com medo dos efeitos colaterais. Na consulta, falou: "Tô tomando o remédio, tá tudo bem." O psiquiatra anotou e pronto. Em casa, ele passava mal, tinha boca seca, insônia, mas não falava nada por vergonha de reclamar. Parou o remédio por conta própria. Na consulta seguinte, o psiquiatra percebeu: "Você está diferente, o que houve?" Confessou. Ele não brigou — explicou que ajustar medicação é normal, que ele precisava relatar TUDO, inclusive o que parecia irrelevante. A partir daí, começou a levar uma lista de efeitos colaterais: o que sentiu, quando, intensidade. Ele ajustou a dose, trocou o horário, e o tratamento funcionou. Aprendeu que psiquiatra não é adivinho. Se a gente esconde os sintomas, o tratamento não funciona. Relatar efeitos colaterais não é frescura — é parte do cuidado.