Na primeira sessão de terapia, Carlos entrou todo tímido e falou: "Então, eu acho que tenho ansiedade... sei lá." A psicóloga perguntou "O que você sente?" e ele respondeu "Ué, ansiedade." Não soube descrever. Passou três sessões falando superficialmente, sem avançar. Até que ela sugeriu: "Tenta descrever a ansiedade como se fosse um personagem. Quando ela aparece? O que ela fala? O que ela faz você fazer?" Aí caiu a ficha. A ansiedade aparecia antes de reuniões, fazia ele roer unha até sangrar, falava "você vai passar vergonha". Ele começou a descrever os sintomas físicos — coração acelerado, suor frio, aperto no peito — e os pensamentos automáticos. A terapia deslanchou. Carlos aprendeu: falar "estou ansioso" é genérico demais. O psicólogo precisa de detalhes. Descrever como um personagem, com gatilhos, sintomas e consequências, transforma a conversa.