Carlos acordava cansado. Dormia oito horas, mas parecia que tinha corrido uma maratona.
— Você ronca muito — Luísa disse. — E às vezes para de respirar.
— Paro?
— Por alguns segundos. Depois você engasga e volta.
A médica solicitou uma polissonografia. Carlos passou uma noite no laboratório, cheio de fios.
— Vamos monitorizar seu cérebro, coração, respiração e movimentos — a técnica explicou.
Carlos dormiu mal no laboratório. Mas foi suficiente para o diagnóstico: apneia obstrutiva do sono moderada.
— Precisa de CPAP — o pneumologista disse. — Uma máscara que mantém suas vias aéreas abertas.
— Vou dormir com aquilo?
— Nas primeiras noites é estranho. Depois você não vive sem.
Carlos comprou o CPAP. Na primeira semana, acordou renovado. Ligou para Luísa do trabalho.
— Eu não lembrava o que era acordar descansado.