Como lidar com o medo de agulha na hora do exame de sangue?

Beto

Beto sentou na ponta da cadeira. A enfermeira preparou a agulha, e ele desviou o olhar.

— Relaxa o braço — ela disse.

— Tô relaxado.

O braço dele estava duro como pedra. Clarinha segurou a mão dele do outro lado.

— Olha pra mim — ela pediu. — Respira.

Beto prendeu a respiração. A enfermeira limpou o local com álcool.

— Ótimo, já vou achar a veia.

Ele sentiu uma picada leve. Apertou os olhos. Passou.

— Pronto — a enfermeira disse.

— Pronto? — Ele abriu os olhos, incrédulo. — Nem doeu.

— Porque você ficou paradinho. Na próxima vez vai ser mais fácil.

Clarinha sorriu. Beto massageou o braço, aliviado. Saiu do laboratório pisando mais firme, ainda que pálido.

— Viu? Não foi nada.

— É que eu não gosto de agulha, pô. Não é medo.

— Claro que não é medo — ela disse, passando o braço no dele. — Vamos comer alguma coisa? Você tá de jejum desde ontem.

— Agora você falou a palavra certa.