Seu Antônio perdeu o médico de confiança, que aposentou depois de quarenta anos de atendimento.
— Não vou em médico novo — ele disse, sentado no sofá. — Não conhece minha história.
— Pai, todos os médicos têm acesso ao prontuário — Luísa respondeu, paciente. — A clínica mandou os exames. Você precisa de alguém.
— Mas e o jeito dele? Como é que eu sei que vou confiar?
— A primeira consulta é pra conhecer. Se não gostar, a gente troca.
Seu Antônio resmungou, mas foi. O novo médico era jovem, paciente, ouviu as queixas todas sem interromper.
— Seu Antônio — o médico disse no fim —, o senhor tem razão de desconfiar. Mas vou ser sincero: seus exames estão bons. Só precisa controlar a pressão.
— Não é só isso?
— Não. O resto tá em dia.
Seu Antônio saiu do consultório mais leve. Ligou pra Luísa.
— Esse médico novo parece bom.
— Sabia que você ia gostar.
— Não falei que gostei. Falei que parece bom. Vou dar mais uma chance.