Clarinha marcou na agenda: check-up anual dela e do Beto no mesmo dia. Ele reclamou quando viu o lembrete no celular.
— Dois exames de sangue num dia só? — Beto bufou, jogando a camisa na cama. — Você quer me matar?
— Quero que você viva mais — ela respondeu, sem levantar os olhos do calendário. — Jejum de 12 horas, nada de café. Pode reclamar à vontade, mas vai.
Na manhã seguinte, Beto saiu de casa resmungando. Clarinha já estava no carro, a pasta de exames no colo.
— Trouxe os pedidos do ano passado, o resultado do check-up anterior e a lista de vacinas — ela disse, organizando os papéis.
— Você levanta mais cedo que eu e já arrumou tudo?
— Alguém precisa.
O laboratório estava cheio. Beto ficou pálido quando a enfermeira chamou. Sentou na cadeira, virou o rosto, apertou os olhos. Clarinha segurou a mão dele.
— Passou — ela disse. — Agora falta o cardiologista.
— Ainda tem?
— E o dermatologista, o oftalmologista e o dentista. Mas hoje já foi ótimo.
Beto suspirou. Mas no fundo sabia que aquela persistência tinha um nome: cuidado.