Como lidar com cobrador no telefone?

Luísa

O telefone de Luísa não parava de tocar. Era uma empresa de cobrança por uma conta de água que ela já tinha pago, mas eles insistiam que estava em aberto. Atendia e a atendente já começava no grito: "Sra. Luísa, a senhora está com o nome em risco." Ela tentava explicar que o pagamento tinha sido feito. A atendente não ouvia, repetia o mesmo script. Luísa desligava nervosa. Ligava de novo, outra atendente, mesma história. Uma hora ficou tão estressada que gritou com a moça do outro lado. Depois passou mal de culpa. Não era culpa dela, mas ela não sabia como parar aquilo. Contou pra vizinha, que é advogada. Ela foi direta: "Luísa, cobrador segue script. Se você entra no script, você perde. Tem três regras: primeiro, nunca dê satisfação pessoal. Segundo, peça o número do protocolo, o nome do atendente e a gravação da ligação. Terceiro, diga: 'Essa dívida não é reconhecida. Por favor, registre minha contestação e não entre em contato por telefone. Comunicação apenas por escrito.'" Na ligação seguinte, Luísa fez exatamente isso. A atendente começou: "Sra. Luísa, o senhor..." Ela interrompeu: "Moça, qual seu nome e número de protocolo?" A atendente hesitou. "Meu nome é Jéssica, protocolo 4587." "Jéssica, essa dívida não é reconhecida. Por favor, registre minha contestação e não ligue mais. Se precisar, enviem carta." Ela tentou insistir. Luísa repetiu: "Jéssica, já registrei minha posição. Obrigada." Desligou. Não ligaram mais. Ela aprendeu que cobrador é treinado pra pressionar. Mas pressão só funciona se você entra no jogo. Quando você sai do script e pede protocolo e contestação por escrito, o jogo vira a seu favor.