O Márcio, o encarregado dele, estava terminando o reboco. Perguntou: "Márcio, quando termina?" Márcio: "Essa semana." Quinta-feira, foi ver: faltava metade. "Márcio, você disse que terminava essa semana." "Tô fazendo com calma pra não ficar torto." Ele: "Mas a semana acabou amanhã." "Semana que vem termino." Ficou sem saber o que fazer. Se apertasse, o Márcio podia fazer mal feito. Se não apertasse, a obra atrasava. Contou pro engenheiro amigo. O amigo disse: "Carlos, cobrar prazo sem deixar claro o 'porquê' vira pressão à toa. Explica o impacto: 'Márcio, se o reboco não ficar pronto até sexta, a pintura atrasa, e a pintura atrasada pega chuva.' Aí ele entende que não é você pressionando — é a obra pressionando." Fez isso. Chamou o Márcio: "Márcio, preciso do reboco até sexta porque a pintura vem na segunda e a previsão é de chuva na terça. Se não der, me fala o que precisa." Márcio: "Preciso de mais um ajudante." Arranjou. Márcio entregou na sexta. Cobrar prazo de liderado não é sobre bater o pé. É sobre conectar o prazo à consequência natural. Quando a pessoa entende o "porquê", o prazo deixa de ser sua exigência e vira necessidade do projeto.