Luísa resgatou uma ninhada de gatos que apareceu no terreno baldio perto da obra. Três filhotes lindos, saudáveis. Publicou no grupo do bairro que estava doando. Uma moça respondeu na hora: "Quero um, pode ser amanhã?" Luísa marcou. Ela chegou, pegou o filhote, tirou uma selfie e foi embora. Nem perguntou sobre vacina, ração, castração. Uma semana depois, Luísa viu o mesmo filhote num anúncio de "doação" noutro grupo. A moça tinha repassado. Ficou furiosa. Ligou pra prima que trabalha em ONG: "Como assim ela pegou e repassou?" A prima suspirou: "Luísa, doação sem taxa de adoção responsável não é adoção. É distribuição. Qualquer um leva, qualquer um descarta." Ela explicou o sistema: uma taxa simbólica — tipo 50 reais — que cobre a primeira vacina e comprova que a pessoa está disposta a investir no animal. Não é lucro, é filtro. Quem não quer pagar 50 reais por um filhote, também não vai querer pagar ração, veterinário, castração. Depois desse episódio, Luísa mudou tudo. Criou um formulário com perguntas: "Tem tela nas janelas? Mora em casa ou apartamento? Já teve animal antes?" E a taxa de adoção responsável. Quando alguém reclama, explica: "É pra garantir que você leva a sério." A moça que repassou o gato sumiu. Mas as pessoas sérias apareceram. Hoje Luísa tem lista de espera de adotantes de verdade. E os filhotes vão pra lares onde são tratados como família.