Ela sempre teve medo de cobrar. Achava que ia parecer chata, interesseira, que o cliente ia se ofender. Então deixava pra lá. Até que um cliente ficou devendo 2 mil reais pra ela por três meses. Toda vez que ela pensava em cobrar, o estômago dela embrulhava. Um dia, desabafou com o Carlos. Ele disse: "Luísa, você não está cobrando um favor. Está cobrando um serviço prestado. Isso não é chatice, é profissionalismo." Ele deu um conselho pra ela: "Manda uma mensagem educada com o valor, o vencimento e as opções de pagamento. Sem rodeio, sem pedido de desculpas." Ela escreveu: "Olá, Fulano! Segue o lembrete do pagamento do projeto de interiores, valor de R$ 2.000, vencido em 10/03. Você pode pagar via PIX (chave) ou boleto (em anexo). Se precisar de ajuda, é só falar." Ele respondeu: "Opa, vou pagar hoje." E pagou. Ela descobriu que a maioria dos clientes não paga atrasado por maldade — paga por esquecimento ou desorganização. E um lembrete educado e direto resolve. Ser chato não é cobrar. É cobrar com indireta, com indireta, com indireta. Quando você é direto, educado e oferece solução, você não é chato — você é profissional.