Sim, é repetição, mas a segunda vez foi diferente — dessa vez era uma cascavel no sítio. Ele já sabia o protocolo, mas o desespero tentou tomar conta de novo. Respirou fundo, lavou o local com água da torneira, manteve a perna imóvel, e pediu pra sua filha ligar pro SAMU enquanto seu cunhado levava o carro pra porta. Fotografou a cobra de longe com zoom — ela já tava morta, mas registrou. No hospital, mostrou a foto, o médico identificou na hora: Crotalus durissus. Aplicaram o soro anticrotálico em 30 minutos. Ficou internado 2 dias, mas saiu bem. O médico disse: "o senhor fez tudo certo. A maioria chega com torniquete, cortado ou morto." Sair vivo de duas picadas de cobra o ensinou que conhecimento não pesa, salva. O que separa sobrevivente de vítima é ter o protocolo na cabeça antes do acidente acontecer.