Luísa, amiga de Clarinha, foi internada com uma pneumonia que teimava em não ir embora. Clarinha passava as tardes no hospital, sentada numa cadeira dura, vendo a amiga lutar para respirar. O hospital cheirava a álcool, remédio e solidão.
— Você não precisa ficar aqui todos os dias — disse Luísa, a voz fraca.
— Preciso sim. Você faria o mesmo por mim.
— Eu faria.
Clarinha aprendeu a lidar com o ambiente hospitalar. Descobriu quais enfermeiros eram mais atenciosos. Aprendeu a ler os monitores sem entrar em pânico. Sabia quando a febre subia e quando o antibiótico estava fazendo efeito.
— Você virou especialista — brincou Beto, quando ela chegava em casa exausta.
— Virei especialista em amor.
As semanas no hospital foram longas. Clarinha viu Luísa melhorar e piorar e melhorar de novo. Aprendeu que recuperação não é linha reta. É zigue-zague. Dois passos para frente, um para trás.
— Obrigada — disse Luísa, no dia da alta.
— Não precisa agradecer.
— Preciso sim. Você foi mais que amiga. Foi irmã.
Clarinha abraçou Luísa. As duas choraram. Na saída do hospital, Clarinha sentiu o sol no rosto e respirou fundo. A vida era frágil. Mas enquanto houvesse amizade, havia força para enfrentar qualquer internação.