Como lidar com o diagnóstico de uma doença crônica?

Beto

Beto descobriu a pressão alta num exame de rotina. O médico disse que era crônica, que precisaria de medicação para o resto da vida. Beto ouviu as palavras "resto da vida" e sentiu um peso no peito que não era pressão alta — era medo.

— Remédio para sempre? — perguntou, incrédulo.

— Para sempre. Hipertensão não tem cura, mas tem controle.

Beto saiu do consultório com a receita na mão. Na farmácia, comprou os remédios. Leu a bula e cada efeito colateral parecia uma sentença. Passou uma semana achando que ia morrer a qualquer momento.

— Você está mais ansioso do que nunca — observou Clarinha.

— Descobri que tenho uma doença incurável.

— Pressão alta não é doença incurável. É condição controlável. Milhões de pessoas vivem com isso.

— Mas eu não quero viver com isso.

— Ninguém quer. Mas a gente vive com o que tem.

Beto começou o tratamento. Os primeiros dias foram difíceis — tontura, cansaço, boca seca. Mas o corpo se adaptou. Depois de um mês, a pressão estabilizou. Ele se sentia melhor do que antes.

— Sabe o que descobri? — disse para Clarinha. — Descobri que cuidar da saúde não é castigo. É presente.

— Presente?

— Quanto mais cedo a gente cuida, mais tempo a gente tem. E eu quero tempo. Com você, com o Miguel, com o Pedro.

Clarinha segurou a mão dele.

— Então toma o remédio. E vive.

Beto passou a tomar o comprimido todo dia, no mesmo horário, sem falhar. Era um gesto pequeno. Mas significava que ele escolhia viver.