Clarinha e Beto sempre tiveram contas separadas. "O dinheiro é meu, o dinheiro é seu" era o acordo que funcionou por 30 anos. Mas com a aposentadoria, a dinâmica mudou. As receitas diminuíram e os custos continuavam os mesmos.
— A gente precisa juntar as contas — propôs Clarinha.
— Juntar? Sempre foi separado.
— Sempre foi. Mas antes a gente trabalhava. Agora a gente tem o que tem. Se a gente não unir, um pode acabar faltando enquanto o outro sobra.
Beto relutou. Tinha medo de perder a independência. Mas depois de ver os números, concordou.
— Mas a gente coloca regras — ele disse.
— Claro. Tudo conversado.
Eles sentaram com um café e definiram: uma conta conjunta para as despesas fixas, duas contas individuais para gastos pessoais. Cada um teria sua liberdade, mas o essencial estaria garantido.
— Isso é um acordo de parceria — disse Clarinha. — A gente não perde a individualidade. A gente ganha um time.
— Bonito discurso.
— É a vida real.
No mês seguinte, o dinheiro entrou na conta conjunta. As contas foram pagas. Sobrou um pouco, que foi para uma poupança comum. E cada um ainda tinha seu dinheiro para gastar como quisesse.
— Não doeu tanto quanto eu pensei — admitiu Beto.
— Porque você confia em mim.
— E você em mim.
— É por isso que a gente deu certo por 30 anos.
— E vai dar certo por mais 30.