Clarinha sempre cuidou das finanças de casa, mas nunca tinha feito uma projeção de longo prazo. Quando Beto se aposentou, ela sentou com uma planilha e calculou quanto tinham, quanto gastavam e por quanto tempo o dinheiro ia durar. O resultado foi assustador.
— Se a gente continuar gastando assim, o dinheiro acaba em 15 anos — ela mostrou para Beto.
— Quinze anos? Mas a gente vai viver mais que isso.
— Exatamente.
Ela pesquisou sobre planejamento financeiro para terceira idade. Descobriu que existem calculadoras de longevidade, que é preciso considerar inflação médica e que o maior erro é subestimar quanto tempo se vai viver.
— A gente precisa cortar custos — ela disse.
— Já cortamos.
— Cortar mais.
Eles revisaram cada despesa. O plano de saúde era o maior peso. Clarinha descobriu que existem planos específicos para idosos com valores mais baixos. Também revisaram o seguro do carro, as assinaturas de streaming, o gasto com restaurantes.
— Não é fácil — ela admitiu para a amiga Luísa. — Mas é necessário.
— O segredo — disse Luísa — é não deixar para amanhã.
Clarinha montou um orçamento realista. Colocou metas de curto, médio e longo prazo. Criou uma reserva de emergência para imprevistos de saúde. Pela primeira vez na vida, ela dormia sabendo exatamente onde estava financeiramente.
— A tranquilidade não vem do dinheiro que a gente tem — ela disse para Beto. — Vem de saber que o dinheiro que a gente tem é suficiente.