Beto pediu o extrato do INSS por curiosidade. Quando viu o valor projetado para a aposentadoria, o susto foi grande. Dava mal para pagar as contas do mês, quem dirá viver com tranquilidade. Ele sempre achou que o INSS seria suficiente — afinal, contribuiu a vida inteira.
— Isso é uma piada? — perguntou para o atendente do balcão.
— Infelizmente não, senhor. Esse é o valor estimado.
Beto sentou no banco da praça em frente ao INSS e fez as contas no celular. Aluguel, condomínio, comida, plano de saúde, remédios. O buraco era grande. Ele ligou para Clarinha.
— A aposentadoria não vai dar nem para metade do que a gente gasta.
— Então a gente precisa de um plano.
— Que plano? A gente tem 50 anos, não 70.
— Exatamente. Temos 20 anos para arrumar.
Elas sentaram com um consultor financeiro que o amigo Carlos recomendou. O consultor foi direto: "O INSS é uma rede, não um colchão. Precisa de previdência complementar, investimentos ou os dois."
— Eu nunca investi — admitiu Beto.
— Nunca é tarde. Com 15 anos de contribuição, um plano de previdência bem estruturado faz diferença. E dá tempo de ajustar o estilo de vida para gastar menos agora e guardar mais.
Beto e Clarinha cortaram assinaturas, diminuíram o plano de celular, passaram a cozinhar mais em casa. No fim do mês, sobrava um dinheiro que colocavam na previdência. Dóia no começo, mas a tranquilidade futura valia o sacrifício.
— Não é o que eu sonhava — Beto disse, olhando o primeiro comprovante de investimento.
— Mas é o que a gente precisa — respondeu Clarinha. — E isso já é meio caminho.