A casa ficou estranhamente silenciosa depois que Pedro se formou na faculdade e foi morar sozinho. Beto passava os dias ouvindo passos que não existiam, esperando o barulho da porta que já não abria. O quarto do filho estava arrumado, limpo, vazio. Parecia um museu.
— Você está deprimido? — perguntou Clarinha.
— Não. Só estranho.
— É a síndrome do ninho vazio.
— Ninho vazio é coisa de mulher.
— Ninho vazio é coisa de pai também. Você não é de ferro.
Beto se sentou na cama do quarto vazio. Lembrou do dia em que Pedro aprendeu a andar. Da primeira vez que foi ao colégio. Do choro no primeiro dia de aula. Do trote na faculdade. Parecia que tinha sido ontem.
— Ele não precisa mais de mim — disse.
— Ele precisa, sim. De outro jeito.
— Que jeito?
— De amigo. De conselheiro. De alguém para ligar quando der problema. Não precisa mais que você carregue ele no colo. Mas precisa saber que você está lá.
Pedro ligou no sábado.
— Pai, como troca o pneu do carro?
Beto sentiu o peito encher.
— Vou te ensinar. Passa aqui amanhã.
— Não precisa. Me explica no telefone.
— Tá bom. Primeiro, pega o macaco…
No domingo, Beto olhou para a casa vazia. Não era mais um ninho vazio. Era um ninho que tinha cumprido seu papel. Os filhotes tinham voado, mas sabiam onde ficava o caminho de volta.