Clarinha estava com a agenda na mão, tentando encaixar as atividades extracurriculares de Pedro. A escola oferecia futebol, natação, balé, judô, aula de música, inglês e robótica. Ela queria matricular Pedro em tudo, com medo de que ele ficasse para trás.
— Olha aqui, amor — mostrou a Carlos. — Segunda e quarta futebol, terça inglês, quinta natação, sexta música.
Carlos olhou a agenda cheia e franziu a testa. — Cadê o tempo para ele brincar? Para fazer nada? Ele tem seis anos, não é CEO de empresa.
Clarinha ficou na defensiva, mas sabia que Carlos tinha razão. Pedro já chegava da escola cansado e mal tinha tempo para o parque. Ela ligou para a professora Luísa, que foi direta: — Criança precisa de tempo livre para ser criativa, para brincar, até para se entediar. Duas atividades por semana é o ideal.
Clarinha repensou tudo. Manteve o futebol, que Pedro amava, e a música, que ele pedia desde o ano passado. Cancelou o resto e abriu espaço na agenda para tardes livres no quintal de casa. Pedro, sem saber da negociação, só sentiu que tinha mais tempo para ser feliz.