Clarinha estava no meio da papelaria com a lista de material de Pedro em uma mão e o celular na outra, calculando cada item. A lista era longa: cadernos, lápis de cor, canetinhas, cola, tesoura, massa de modelar, folhas coloridas. O total no carrinho já passava dos trezentos reais.
— Mãe, olha a mochila do Homem-Aranha! — gritou Pedro, apontando para uma prateleira.
— Filho, sua mochila do ano passado está boa ainda — respondeu Clarinha, tentando desviar a atenção.
Ela lembrou do conselho de Luísa na reunião de pais: reutilizar o que fosse possível, comprar em atacado com outros pais, e fugir dos personagens licenciados que encareciam tudo. Clarinha respirou fundo e fez uma triagem na lista: metade das coisas dava para reaproveitar do ano anterior.
No caixa, ela encontrou Dona Marta, que estava comprando material para a escola. Trocaram dicas de economia e Dona Marta recomendou uma papelaria no centro que vendia por atacado.
— A gente sempre compra lá, Dona Clarinha. O segredo é dividir com outras mães — disse Dona Marta.
Clarinha saiu da loja com metade do que tinha no carrinho e um plano: chamaria as mães da turma de Pedro para fazer uma compra coletiva. No fim, gastou menos da metade do orçamento inicial e ainda sobrou para um caderno de desenho extra que Pedro tanto queria.