Clarinha achou a mochila de Pedro no corredor. Olhou o tamanho dela. Parecia de um adulto. Ela lembrou da primeira mochila que ele usou, azul com dinossauros, que mal cabia um caderno.
Ela sentou no sofá com a mochila no colo. Lembrou do primeiro dia de escola. Pedro agarrado na perna dela, chorando. Ela quase chorou junto. Agora ele ia sozinho, fazia os trabalhos, tirava notas boas. Não precisava mais que ela explicasse a matéria.
Beto chegou e viu ela com a mochila. Não perguntou nada, só sentou do lado e apoiou a mão no ombro dela. Clarinha apoiou a cabeça nele.
— Ele tá crescendo — ela disse.
Beto apertou o ombro dela. — A gente também.
Clarinha guardou a mochila no lugar. Depois foi até o quarto de Pedro. Ele tava dormindo, o braço esticado por cima do travesseiro. Ela ajeitou o cobertor, deu um beijo na testa dele e apagou a luz.
No corredor, encontrou Beto. Ele segurou a mão dela.
— A gente fez um bom trabalho — ele disse.
Ela apertou a mão dele. Fizeram sim.