Carlos sentou ao lado de Pedro na mesa da sala com a apostila aberta na página certa. Eram apenas três exercícios de matemática, mas Pedro já começava a se remexer na cadeira antes mesmo de pegar no lápis.
— Não quero fazer isso agora — resmungou Pedro, cruzando os braços.
— Filho, são só três continhas. Depois você pode ver desenho — tentou Carlos, paciente.
Pedro bufou, empurrou a apostila para longe e começou a chorar. Carlos sentiu a paciência escapando pelos dedos. Quase mandou ele parar de frescura, mas respirou fundo, lembrando do que a professora Luísa tinha dito: criar uma rotina, não uma batalha.
— Vamos fazer uma coisa diferente — disse Carlos, pegando um punhado de feijões na cozinha. — Cada feijão é uma continha. Você coloca aqui, conta, e depois começa a escrever.
Pedro olhou desconfiado, mas se interessou. Colocou três feijões na mesa, contou nos dedos e escreveu o resultado. Aos poucos, o exercício virou jogo. Em quinze minutos, tudo estava pronto.
— Pronto, pai! — exclamou Pedro, mostrando a página completa.
— Parabéns, campeão — disse Carlos, fechando a apostila. — Viu como não era tão difícil?
Na noite seguinte, Pedro sentou sozinho na mesa e começou a lição sem reclamar. Carlos observou de longe, aliviado. A batalha do dever de casa parecia ter encontrado uma trégua.