Pedro estava no quarto fazendo o dever de casa quando Beto, seu irmão mais novo, entrou com um lápis na mão e um papel amassado. Beto tinha quatro anos e estava começando a se interessar por letras.
— Pedro, me ensina a fazer a letra A? — pediu Beto, sentando no chão.
Pedro suspirou. Queria terminar a lição para ver TV. Mas olhou para o irmão, com os olhos grandes e o lápis empunhado, e seu coração amoleceu.
— Senta aqui do lado. Primeiro faz uma perna reta assim, depois a outra, e risca no meio — explicou Pedro, devagar.
Beto tentou. A primeira saiu torta. — Errei — disse, quase desistindo.
— Na escola, a tia Luísa diz que errar faz parte. Tenta de novo — encorajou Pedro, repetindo o que ouvia da professora.
Beto tentou de novo. E de novo. Na quinta tentativa, saiu uma letra A reconhecível. — Pedrinho, olha! Eu consegui!
— Boa, Betinho! Agora faz o teu nome.
Beto rabiscou com orgulho. Clarinha passou pela porta e viu a cena: os dois irmãos sentados no chão, Pedro ensinando com paciência, Beto aprendendo com alegria. Ela não interrompeu. Só sorriu.
— Mãe, o Pedro é professor! — disse Beto, mostrando o papel.
— É sim, filho. O Pedro é um ótimo professor.