Pedro chegou da escola desanimado. A professora Luísa tinha devolvido os trabalhos, e o dele em português estava cheio de marcações vermelhas. Ele se sentia um fracasso.
— Não sirvo para estudar, mãe — disse Pedro, com a cabeça baixa.
— Claro que serve, filho. Você é muito inteligente — respondeu Clarinha.
— Mas errei tudo.
Clarinha sabia que palavras não bastariam. Precisava mostrar a Pedro que ele tinha talentos. Na mochila, encontrou um desenho que ele tinha feito na aula de artes: um girassol enorme, colorido com capricho, com um céu azul de fundo.
— Pedro, quem fez esse desenho?
— Fui eu.
— É lindo! Olha as cores que você escolheu, o detalhe das pétalas. Você tem um talento enorme para o desenho.
Pedro ergueu os olhos. — Você acha?
— Tenho certeza. Vamos pendurar na geladeira?
Pedro sorriu. Clarinha pendurou o desenho e, a partir daquele dia, Pedro passou a desenhar mais. Cada desenho novo ia para a parede da cozinha, que ficou colorida. Ele descobriu que arte era sua linguagem, seu ponto de brilho.
— Mãe, posso desenhar um quadro para a sala? — perguntou Pedro.
— Pode sim, filho.
A autoconfiança que veio da arte começou a transbordar para outras áreas. Pedro passou a se arriscar mais na leitura, na matemática. Não porque tinha virado gênio, mas porque descobriu que era bom em alguma coisa.