Pedro estava na escola há três semanas e ainda não tinha feito nenhum amigo próximo. Carlos percebia quando buscava o filho: as outras crianças corriam em grupo, enquanto Pedro brincava sozinho no balanço.
— Filho, com quem você brincou hoje? — perguntou Carlos, no caminho de casa.
— Ninguém queria brincar comigo — respondeu Pedro, com a voz baixa.
Carlos sentiu o coração apertar. Lembrava da própria infância, da dificuldade de se enturmar. Naquela noite, conversou com Clarinha e eles decidiram agir com delicadeza.
No dia seguinte, Carlos propositalmente levou Pedro mais cedo à escola. No portão, encontrou outra criança sozinha, um menino chamado Lucas, também esperando a aula começar.
— Pedro, olha só, o Lucas também gosta de dinossauro que nem você. Por que vocês não desenham um juntos?
Pedro hesitou, mas Carlos entregou um papel e lápis de cor. Em poucos minutos, os dois estavam desenhando um tiranossauro. No fim da semana, Pedro já pedia para chegar cedo para desenhar com o Lucas.
— Pai, o Lucas é meu amigo — disse Pedro, com um sorriso novo.
Carlos sorriu no retrovisor. Às vezes, uma amizade começava com um papel e lápis. E com um empurrãozinho discreto de quem sabia a hora certa de intervir.