Pedro chegou da escola com a notícia: teria que apresentar um trabalho sobre os animais da Amazônia para a turma inteira. Só de pensar, suas mãos suavam e o estômago embrulhava.
— Mãe, não quero fazer isso — disse Pedro, quase chorando.
— Por que não, filho?
— Todo mundo vai olhar para mim. E se eu esquecer? E se rirem?
Clarinha segurou as mãos dele. Entendia o medo. Lembrava-se da própria timidez na infância. Decidiu ajudar sem forçar.
— Vamos treinar aqui em casa. Primeiro só para mim, depois para o papai, depois para o vovô.
Pedro aceitou. Na primeira noite, leu o cartaz com a voz trêmula. Na segunda, já olhava nos olhos de Clarinha. Na terceira, apresentou para Carlos. Na quarta, para Seu Antônio, que fez perguntas e elogiou.
No dia da apresentação, Pedro estava nervoso, mas preparado. Subiu na frente da turma, respirou fundo e começou: — A Amazônia tem muitos animais. Hoje vou falar sobre a arara-azul...
— Muito bem, Pedro! — disse a professora Luísa, quando ele terminou.
Pedro voltou para o lugar aliviado e orgulhoso. Clarinha aprendeu que coragem não era a ausência de medo, mas a disposição de enfrentá-lo com apoio.