Pedro chegou em casa com um olhar diferente. Não trazia a mochila. Carlos percebeu na hora. — Filho, cadê sua mochila?
— Não sei — respondeu Pedro, com os olhos no chão.
— Como assim não sabe?
— Esqueci no parquinho depois do recreio... e quando voltei, não estava mais lá.
Carlos sentiu a irritação subir. Era a mochila nova, comprada no mês passado. Mas viu a cara de arrependimento de Pedro e respirou fundo. — Tudo bem, filho. Vamos ver o que dá para fazer.
Na manhã seguinte, Carlos foi à escola com Pedro. Conversaram com a professora Luísa, que avisou a coordenação. Dona Marta anunciou nos alto-falantes e pediu para quem encontrasse devolver. No fim do dia, a mochila apareceu na sala dos professores — um aluno do quinto ano tinha guardado sem querer.
— Achou, pai! — gritou Pedro, abraçando a mochila.
— Dessa vez teve sorte. Mas vou colocar uma etiqueta com seu nome e telefone. Se perder de novo, fica mais fácil devolver — disse Carlos.
Carlos comprou etiquetas e escreveu os dados de Pedro em cada peça importante: mochila, estojo, lancheira. Pedro aprendeu a guardar os pertences com mais cuidado. Carlos aprendeu que perder faz parte, e que o importante era ensinar a prevenir, não apenas punir.