Pedro ia começar a ir para a escola de ônibus escolar pela primeira vez. Clarinha estava mais nervosa que ele. No dia anterior, preparou a mochila, passou todas as instruções e ainda colocou um bilhete com o telefone dentro do bolso do uniforme.
— Filho, você espera o ônibus parar completamente para levantar, ok? E fica sentado o tempo todo — repetiu Clarinha.
— E não conversa com estranhos — completou Carlos.
— Mas o Seu Antônio não é estranho — respondeu Pedro, confuso.
Na manhã seguinte, o ônibus amarelo parou na esquina. Clarinha acompanhou Pedro até a porta, deu um beijo e viu ele subir os degraus com a mochila nas costas. Pedro sentou perto da janela e acenou. Clarinha acenou de volta, o coração apertado.
No caminho, Seu Antônio contou uma piada, e as crianças riram. Pedro se sentiu importante, grande. Quando chegou na escola, desceu com cuidado, exatamente como a mãe tinha ensinado.
— Mãe, o ônibus é muito legal! Tem banco alto e a gente vê tudo pela janela! — contou Pedro na volta.
— E você se sentiu seguro? — perguntou Clarinha.
— Sim, o Seu Antônio cuida da gente.
Clarinha abraçou o filho, aliviada. Ele estava crescendo, ganhando independência. E ela precisava aprender a confiar, mesmo com o coração apertado.