A escola de Pedro abriu inscrições para pais voluntários na festa junina. Clarinha sempre passava longe desse tipo de convocação, mas dessa vez algo a chamou. Pedro estava na fase de perguntar por que ela nunca aparecia na escola.
— Mãe, por que você não vai na minha escola igual a mãe do Miguel? — perguntou Pedro.
— Porque a mamãe trabalha, filho.
Mas a pergunta ficou martelando. Clarinha pediu um dia de folga e se inscreveu como voluntária na barraca de pescaria. Chegou cedo, ajudou a montar, ficou o dia inteiro de pé servindo as crianças.
Pedro passou várias vezes pela barraca, todo orgulhoso: — Essa é a minha mãe!
— Mãe, você ficou o dia inteiro aqui! — disse Pedro, no fim da festa, exausto mas feliz.
— Fiquei, e foi muito divertido.
Clarinha descobriu que ser voluntária não exigia disponibilidade total. Um dia aqui, outro ali, já fazia diferença. Pedro passou semanas falando do dia em que a mãe foi voluntária na escola. E Clarinha percebeu que presença não se media em horas, mas em momentos significativos.