A empresa de Carlos anunciou uma transferência para outra cidade. A notícia caiu como uma bomba na família. Pedro teria que mudar de escola no meio do ano letivo, e Clarinha estava desesperada só de pensar no impacto.
— E os amigos dele? E a adaptação? — questionou Clarinha.
— Vai ser difícil, mas vamos preparar ele com calma — respondeu Carlos.
Pedro recebeu a notícia com choro. Não queria deixar a escola, a professora Luísa, o Miguel. Passou uma semana mais quieto, desenhando a escola antiga e os amigos. Clarinha comprou um caderno para ele registrar as memórias.
Na nova cidade, Clarinha visitou três escolas antes de escolher. Optou por uma com proposta pedagógica parecida com a anterior. Antes do primeiro dia, levou Pedro para conhecer a escola vazia, a sala, o parquinho.
— Olha, filho, tem um balanço igual ao da outra escola — mostrou Clarinha.
No primeiro dia, Pedro estava tenso, mas a nova professora o recebeu com um cartão de boas-vindas feito pela turma. No recreio, um menino o chamou para jogar futebol. Pedro hesitou, mas foi.
Na volta para casa, ele disse: — Mãe, o futebol é igual aqui.
Clarinha respirou aliviada. Mudar era difícil, mas com acolhimento, Pedro mostrou que era capaz de se adaptar. E que amizades podiam nascer em qualquer lugar.