A professora Luísa pediu uma reunião com Clarinha e Carlos. O assunto era delicado: Pedro apresentava sinais de altas habilidades. Aos seis anos, ele já lia frases completas, fazia contas de cabeça e fazia perguntas que surpreendiam os adultos.
— Isso é bom, não? — perguntou Carlos, confuso.
— É, mas precisamos pensar em como desafiá-lo sem pressioná-lo — respondeu Luísa.
Clarinha ficou dividida entre o orgulho e a preocupação. Superdotação não era só presente, era também um desafio emocional. Crianças assim podiam se sentir deslocadas, entediadas, frustradas.
A psicóloga Helena foi chamada para orientar. Explicou que Pedro precisava de estímulos variados, projetos individuais e contato com crianças de diferentes idades. Também alertou: — Não transformem a inteligência dele em pressão. Ele precisa ser criança também.
Clarinha passou a oferecer livros mais avançados, quebra-cabeças complexos e experiências científicas simples em casa. Também fez questão de manter tempo livre para brincadeiras comuns. Pedro prosperou: lia sobre dinossauros, montava maquetes e ainda pulava amarelinha com os amigos.
— Mãe, sabia que o tiranossauro tinha braços pequenos? — perguntou Pedro, no jantar.
— Sabia sim, filho. E você vai me contar mais?
Clarinha sorriu. Superdotação não era uma corrida, era uma jornada que exigia equilíbrio entre estímulo e infância.