Carlos recebeu o segundo bilhete da professora Luísa no mesmo mês: "Pedro não consegue ficar sentado durante as explicações. Ele se levanta, mexe nos materiais dos colegas e se distrai com facilidade." Carlos suspirou ao ler.
— Ele é assim em casa também — disse a Clarinha. — Não termina nada que começa.
— Será que é TDAH? — perguntou Clarinha, com preocupação.
Carlos pesquisou sobre o transtorno e ficou preocupado com a quantidade de sintomas que Pedro apresentava. Mas também sabia que crianças são naturalmente agitadas. Marcou uma consulta com um neuropediatra.
O médico ouviu os relatos, aplicou escalas de avaliação e conversou com Pedro por quarenta minutos. No fim, deu o veredito: — Seu Carlos, Pedro é uma criança ativa, mas não preenche critérios para TDAH. Ele pode ter um traço de desatenção, mas dentro do esperado para idade.
— E o que a gente faz com a agitação? — perguntou Carlos.
— Rotina estruturada, reduzir estímulos visuais na hora da lição, atividade física regular e limite de tempo de tela — orientou o médico.
Carlos aplicou as mudanças: lição em ambiente silencioso, futebol duas vezes por semana e uma hora de desenho por dia. Em duas semanas, a professora Luísa já notava diferença. Carlos entendeu que nem toda agitação era transtorno. Às vezes, era só energia de criança que precisava de direção.