Como identificar se meu filho tem dislexia?

Clarinha

Clarinha observava Pedro escrever e algo a incomodava. Ele trocava letras com muita frequência: "b" por "d", "p" por "q", escrevia "estrela" como "eztrela". A professora Luísa dizia que era normal na alfabetização, mas Clarinha sentia que era diferente.

— Carlos, acho que o Pedro pode ter dislexia — disse Clarinha uma noite.

— Amor, ele tem seis anos. Acho cedo para diagnosticar — respondeu Carlos.

Mas Clarinha insistiu. Leu artigos, conversou com outras mães, e decidiu levar Pedro a uma neuropsicopedagoga. A profissional fez uma avaliação completa, com jogos, testes e observação.

— Dona Clarinha, Pedro apresenta alguns sinais compatíveis com dislexia, mas é cedo para um diagnóstico fechado. O que posso dizer é que ele precisa de um método de alfabetização mais estruturado e multissensorial — explicou a especialista.

Clarinha saiu de lá com orientações: atividades com letras em diferentes texturas, uso de cores para diferenciar letras parecidas, e acompanhamento quinzenal. Ela aplicou as técnicas em casa e comunicou a escola.

A professora Luísa se adaptou, usando recursos visuais e maior tempo para as atividades escritas. Pedro começou a progredir sem se sentir pressionado. Clarinha aprendeu que desconfiar de um transtorno não era alarmismo, era o primeiro passo para ajudar o filho.