Clarinha recebeu o comunicado da escola com o coração na mão: Pedro estava com dificuldades sérias em leitura e escrita, e a equipe pedagógica sugeria a retenção no segundo ano. Ela leu o papel três vezes, como se fosse mudar o conteúdo.
— Não é possível, Carlos. Repetir de ano? Ele vai se sentir um fracassado — disse Clarinha, com a voz embargada.
— Talvez seja o melhor para ele, amor. Se ele não tem base, vai sofrer mais no ano seguinte — respondeu Carlos, tentando ser racional.
Marcaram uma reunião com a professora Luísa e a diretora Dona Marta. Na reunião, Luísa explicou com cuidado: Pedro era esforçado, mas não tinha consolidado a alfabetização. Repetir o ano daria a ele a chance de construir uma base sólida sem pressão.
— Repetir não é castigo, Dona Clarinha. É uma chance de recomeçar com mais maturidade — disse Dona Marta.
Clarinha chorou, mas entendeu. Conversou com Pedro sem rodeios: — Filho, você vai ficar mais um ano nessa série para aprender melhor. Não é porque você é menos inteligente, é porque você merece mais tempo.
Pedro aceitou melhor do que ela esperava. No ano seguinte, com uma professora nova e mais confiança, ele se destacou. Clarinha entendeu que repetir não era o fim do mundo. Às vezes, era um novo começo.