Pedro voltou da escola com o lanche intacto na mochila. Clarinha abriu a lancheira e viu o sanduíche amassado, a fruta mordida só uma vez e o suco fechado. O coração dela apertou.
— Filho, você não comeu nada? — perguntou, tentando disfarçar a preocupação.
— Não tava com fome — respondeu Pedro, distraído com um brinquedo.
Isso se repetiu por três dias seguidos. Clarinha conversou com a professora Luísa, que observou Pedro no recreio e percebeu que ele ficava ansioso perto de outras crianças na hora do lanche. Tinha vergonha de comer na frente dos colegas.
— Ele disse que não gosta do cheiro da merenda — contou Luísa. — Talvez seja sensibilidade.
Clarinha mudou a estratégia: em vez de sanduíche, mandou comidas que Pedro adorava em potinhos coloridos e um guardanapo do personagem favorito dele. Combinou com Luísa que Pedro poderia comer num cantinho mais calmo nos primeiros dias.
Aos poucos, Pedro foi se sentindo mais confortável. Na segunda semana, já comia na mesa com os amigos. Clarinha aprendeu que às vezes o problema não era a comida, mas o ambiente. E que pequenos ajustes podiam resolver grandes desafios.