A escola de Pedro convocou os pais para organizar a Festa da Primavera. Clarinha já estava exausta só de ler o comunicado. Pedia doação de doces, bebidas, enfeites, e voluntários para decorar a quadra no sábado.
— Amor, não vou conseguir ir — disse Clarinha a Carlos. — Estou sobrecarregada com o trabalho.
— Então não vai. A gente contribui com os doces e pronto — respondeu Carlos.
Mas Clarinha sentia culpa. Todas as outras mães pareciam estar envolvidas, postando fotos dos enfeites que estavam fazendo. Ela se sentia uma mãe insuficiente. Até que encontrou Dona Marta no supermercado.
— Dona Clarinha, a senhora vai ajudar na festa? — perguntou Dona Marta.
— Não vou poder, estou com muito trabalho.
— Que bom que a senhora está priorizando o que precisa. Cada um ajuda como pode. Não é competição.
Clarinha aliviou. No dia da festa, foi com Pedro, que se divertiu muito nos brinquedos. Ela aproveitou o tempo com ele, sem culpa. Doou um bolo e ajudou na limpeza no final. Aprendeu não precisava fazer tudo, apenas o que cabia no seu momento.