O grupo de WhatsApp da turma de Pedro tinha 32 participantes e centenas de mensagens por dia. Clarinha acordou com o celular vibrando: 127 mensagens não lidas. Passou os olhos pelas notificações: reclamações sobre a merenda, fotos de crianças, briga por causa de festa junina.
— Não aguento mais esse grupo — desabafou com Carlos. — A mãe do Miguel postou vinte fotos do filho escovando os dentes, e a mãe do João está criticando o cardápio da escola.
— Por que você não sai ou silencia? — sugeriu Carlos.
— Se eu sair, fico por fora dos avisos importantes!
Clarinha estava presa entre o incômodo e o medo de perder algo. Decidiu então estabelecer limites: silenciou o grupo, combinou de ver apenas mensagens marcadas como importantes, e combinou com outras três mães de criar um grupo secundário só para avisos essenciais.
— Mãe do Pedro, a senhora viu o comunicado sobre o horário? — perguntou a professora Luísa no portão.
— Vi sim, estava no grupo — respondeu Clarinha. Ela não perdia mais tempo com as fofocas, mas estava presente quando precisava.
O grupo continuava agitado, mas Clarinha aprendeu a navegar sem se afogar. No fim, o mais importante não era estar em todos os grupos, mas estar presente na vida do filho.