A escola de Pedro organizou um passeio ao zoológico. O bilhete pedia autorização dos pais, lanche reforçado e protetor solar. Carlos leu o bilhete com atenção e sentiu um frio na barriga — era o primeiro passeio de Pedro sem a presença dos pais.
— E se ele se perder? E se passar mal? — perguntou Carlos a Clarinha, enquanto separava a mochila.
— Calma, amor. A professora Luísa vai estar lá, e tem monitores — respondeu Clarinha, mais tranquila.
Na noite anterior, Carlos fez uma "reunião de segurança" com Pedro: mostrou o crachá com telefone de contato, ensinou a procurar a professora se se perdesse, e deu um apito de brinquedo para emergências. Pedro levou tudo muito a sério.
No dia seguinte, Pedro acordou sozinho e se arrumou antes do horário. No portão da escola, a van esperava. Carlos deu um beijo no filho e viu ele subir animado. Passou o dia inteiro olhando o celular, esperando notícias.
— Foi incrível, pai! Vi o leão, o macaco, e a girafa! — Pedro falava sem parar na volta.
— E não se perdeu? — perguntou Carlos, sorrindo.
— Não. Mas guardei o apito, só por garantia.
Carlos riu e abraçou o filho. Entendeu que o crescimento de Pedro também passava por deixá-lo voar um pouco, mesmo que o coração apertasse.