Pedro estava de pé no portão de casa com a mochila nova nas costas, os olhos grandes e a respiração acelerada. Era o primeiro dia de aula, e tudo o que ele queria era não sair do lado da mãe. Clarinha se abaixou para ficar na altura dele e segurou suas mãos.
— Não quero ir, mãe — disse Pedro, com a voz embargada.
— Eu sei, meu amor. É normal ficar com medo no primeiro dia. Mas você vai ver quantas coisas legais te esperam lá — respondeu Clarinha, com um sorriso paciente.
Carlos saiu de casa com a chave do carro na mão e fez questão de levá-lo até a escola. No caminho, contou uma história de quando ele próprio começou a estudar e como fez o primeiro amigo. Pedro ouviu calado, mas já segurava a mão do pai com menos aperto.
Na entrada da escola, a professora Luísa os esperava com um crachá colorido e um sorriso acolhedor. Ela se apresentou e mostrou a sala decorada com desenhos e brinquedos. Pedro ainda relutava em soltar a mão do pai, mas quando viu um menino montando um castelo de blocos no canto da sala, seus olhos brilharam.
— Pai, posso ir brincar? — perguntou Pedro, já soltando a mão.
Carlos deu um beijo na cabeça do filho e disse que estaria ali na hora da saída. Pedro correu para os blocos sem olhar para trás. No fim da tarde, na volta para casa, ele já falava animado sobre o novo amigo e a professora que contou histórias. Clarinha e Carlos trocaram um olhar de alívio na porta de casa.