Luísa sempre teve enxaqueca desde a adolescência, mas aquela crise foi diferente. Começou com uma aurora visual — pontos brilhantes no canto do olho direito. Depois a dor chegou, latejando num lado só da cabeça, tão forte que ela não conseguia abrir os olhos.
Ela tomou o remédio habitual, mas a dor não passou. Piorou. Luísa começou a vomitar. Cada vômito parecia fazer a cabeça pulsar mais forte. Ela ficou deitada no quarto escuro por três horas, sem melhora.
Carlos ficou preocupado quando ela disse que a dor era 9 numa escala de 0 a 10. — Vamos ao PS, amor.
No pronto-socorro, o médico fez exame neurológico para descartar coisas mais graves. Como não havia sinais de AVC ou meningite, diagnosticou crise de enxaqueca refratária. Aplicou medicação intravenosa: anti-inflamatório, antiemético e um triptano.
Em quarenta minutos Luísa sentiu a dor ceder pela primeira vez em horas. Foi liberada com a orientação de buscar acompanhamento com neurologista para prevenção.
A crise foi um susto, mas serviu para ela levar a enxaqueca mais a sério.