A mãe de Carlos passou mal e a atendente do SAMU perguntou: "Qual o quadro clínico dela?" Ele congelou. Começou a falar coisas vagas: "Ela tá fraca, meio tonta, não sei, acho que é pressão." A atendente perguntou a pressão arterial e ele não sabia. Perguntou os medicamentos que ela toma e ele não sabia. Perguntou se ela tem diabetes e ele não sabia. Se sentiu um filho inútil. A atendente teve que extrair cada informação com um trabalho de parto. Carlos aprendeu que para falar com emergência precisa saber o básico do quadro clínico da família. Hoje mantém uma ficha médica de cada familiar no celular: idade, peso aproximado, alergias, medicamentos em uso, doenças preexistentes (diabetes, hipertensão, cardiopatias), plano de saúde e contato do médico. Quando o pai passou mal, abriu a ficha no celular e falou com a atendente: "Meu pai, 68 anos, hipertenso, diabético tipo 2, usa losartana 50mg e metformina 850mg. Pressão habitual 13x8. Agora está com pressão 18x11, tontura e visão turva, consciente." A atendente disse "perfeito, senhor, já entendi o caso." A ambulância veio preparada. Conhecer o quadro clínico é essencial.