Seu Antônio foi internado depois do infarto. Passou a primeira noite na sala de emergência, porque não tinha vaga na UTI. A cama era dura, o colchão fino, as luzes nunca se apagavam de vez.
Uma enfermeira vinha de hora em hora medir a pressão e verificar os sinais. Cada vez que ele pegava no sono, alguém entrava. A comida era sem sal e sem gosto. A família só podia visitar em horários restritos.
Seu Antônio, que sempre dormiu na cama dele com travesseiro de penas, passou a noite mais desconfortável da vida. Mas a cada medição, os números melhoravam. De manhã, o cardiologista veio e deu boas notícias: o coração estava respondendo bem.
Ele foi transferido para o quarto no dia seguinte, onde a cama era um pouco melhor e a visita podia ficar mais tempo.
A experiência foi cansativa, mas necessária. Seu Antônio aprendeu a valorizar a saúde e a não reclamar de coisas pequenas. E passou a defender que todo hospital deveria ter camas melhores na emergência.